O Sistema Cantareira, vital para o abastecimento de milhões de paulistas, operará com captação reduzida durante todo o mês de junho. A decisão, anunciada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) nesta sexta-feira (29), mantém o sistema na Faixa 2 – Atenção, limitando a retirada de água pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a 31 metros cúbicos por segundo (m³/s). Este volume está abaixo do patamar normal de 33 m³/s, em um período crítico de estiagem que se estende até novembro.
Paralelamente à gestão hídrica, o estado de São Paulo intensifica as ações de prevenção e combate a incêndios e queimadas. Uma operação conjunta de fiscalização já identificou irregularidades em 179 locais, reforçando a preocupação com os riscos ambientais e sociais que se agravam com o tempo seco e a baixa umidade do ar.
Restrição hídrica no Cantareira: um alerta para o período de estiagem
A manutenção do Cantareira na Faixa 2 – Atenção reflete a necessidade de cautela na gestão dos recursos hídricos, especialmente diante da perspectiva de um período seco prolongado. A medida visa preservar os níveis dos reservatórios e garantir a disponibilidade de água não apenas para a Região Metropolitana de São Paulo, mas também para os rios das bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), que dependem da vazão do sistema.
O Sistema Cantareira, localizado ao norte e nordeste da capital paulista, é o maior entre os sete sistemas de abastecimento da região, sendo responsável por fornecer cerca de metade da água consumida por 38 municípios. Sua importância estratégica torna qualquer restrição um sinal de alerta, remetendo a crises hídricas passadas que impactaram severamente a população e a economia local.
Em nota conjunta, a ANA e a SP Águas recomendaram a adoção de medidas operacionais que incentivem a redução do consumo e das perdas, além do uso racional da água por todos os usuários. A Sabesp, por sua vez, informou que já implementa ações contínuas de diminuição de perdas, incluindo a redução de pressão na rede de distribuição em parte do dia, uma prática que se tornou mais comum desde a estiagem do ano passado.
O cenário atual é agravado pelas projeções climáticas, que apontam para a possibilidade de intensificação das secas neste ano, em parte associadas aos efeitos do fenômeno El Niño. Para o setor produtivo, especialmente aquele com maior dependência de água, a gestão mais restritiva dos recursos hídricos exige um planejamento operacional ainda mais rigoroso e adaptativo.
Prevenção a incêndios: fiscalização rigorosa em meio à seca
A preocupação com a estiagem não se limita à disponibilidade de água; ela se estende à prevenção de incêndios e queimadas, que se tornam mais frequentes e devastadores em períodos de seca. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e batalhões da Polícia Militar Ambiental uniram forças em uma operação que resultou na lavratura de 639 Termos de Vistoria Ambiental e na abertura de cinco boletins de ocorrência.
A fiscalização abrangeu diversos pontos críticos, verificando a manutenção de aceiros – faixas de terra limpas que impedem a propagação do fogo –, as condições das faixas de domínio em margens de estradas e linhas férreas, e, de forma particular, os planos de prevenção a incêndios e a adoção de medidas preventivas no setor sucroalcooleiro. Este setor, em especial, é frequentemente associado a focos de incêndio, seja por práticas agrícolas ou por acidentes.
O programa de fiscalização foi intensificado após os grandes incêndios registrados em 2024, que atingiram extensas áreas de cana-de-açúcar e vegetação nativa, causando prejuízos ambientais e econômicos significativos. Embora os órgãos públicos não tenham detalhado a localização exata de todas as irregularidades encontradas, nem o volume atual de água armazenado no sistema na data do anúncio, a ação demonstra um esforço coordenado para mitigar os riscos. Para mais informações sobre a gestão hídrica, consulte a Agência Brasil.
Desafios climáticos e a gestão de recursos em São Paulo
A combinação da captação reduzida no Cantareira e o reforço nas ações de prevenção a incêndios destaca os desafios impostos pelas condições climáticas em São Paulo. A gestão de recursos hídricos e a proteção ambiental tornam-se pautas urgentes, exigindo a colaboração entre poder público, setor privado e a sociedade civil.
A capacidade de resposta do estado a esses desafios dependerá não apenas da evolução dos padrões de chuva e das condições dos reservatórios, mas também do cumprimento efetivo das medidas preventivas por parte dos usuários e dos setores fiscalizados. A conscientização sobre o uso responsável da água e a prevenção de queimadas é fundamental para atravessar o período de estiagem com o mínimo de impactos negativos.
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Fonte: canalrural.com.br