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Essa fala marca a transição de um cenário de articulações reservadas para um confronto aberto. A disputa, que antes se desenrolava em reuniões e conversas privadas, agora se manifesta em declarações públicas, elevando a temperatura do debate e exigindo posicionamentos mais claros dos envolvidos.
Zé Geraldo fundamentou sua defesa na maior densidade política do PT, destacando a representação parlamentar e a base social do partido. Ele ressaltou que o PT possui um senador, deputados federais, uma bancada estadual expressiva e uma presença organizada nos movimentos sociais, o que, em sua visão, lhe confere o direito de reivindicar a vaga.
O ex-deputado também conectou a composição estadual ao projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfatizando a importância de assegurar um palanque robusto para Lula no Pará. Dirceu Ten Caten foi elogiado como um dos parlamentares de maior atuação na Assembleia Legislativa nos últimos anos, reforçando a legitimidade de sua indicação.
“Quem precisa compor a cabeça de chapa com o MDB é o PT”, afirmou Zé Geraldo. Para o petista, a escolha do vice não deve se limitar ao tamanho formal das legendas, mas considerar o cenário político nacional e a contribuição do governo federal para os projetos desenvolvidos no estado.
Dirceu Ten Caten, que cumpre seu terceiro mandato como deputado estadual, lidera a bancada petista na Alepa, preside o PT em Marabá e integra as executivas estadual e nacional do partido. Seu nome foi escolhido pelo Diretório Estadual em dezembro de 2025 e reafirmado em diversas reuniões partidárias.
Do outro lado da mesa de negociações, o Avante oficializou Josué Paiva como seu indicado para a vice. O partido argumenta que a proposta conta com o apoio de importantes lideranças evangélicas e de representantes do setor produtivo do Pará.
Dirigentes de convenções das Assembleias de Deus e de outras denominações têm se reunido para defender que o segmento evangélico seja contemplado na chapa governista. Parte dessas lideranças manifesta resistência a uma composição com o PT, sustentando que um representante cristão poderia ajudar a reduzir a vantagem que o adversário Daniel Santos possui entre os eleitores mais conservadores.
Zé Geraldo contestou diretamente essa estratégia, acusando o Avante de tentar instrumentalizar as igrejas para exercer pressão política contra o PT. Essa fala deve gerar reações dentro do Avante e entre as lideranças religiosas envolvidas, ampliando o embate para o sensível terreno da disputa pelo voto evangélico.
A manifestação de Zé Geraldo sublinha que a escolha do vice transcende as negociações partidárias estaduais. Para o PT, ocupar a chapa de Hana Ghassan significa garantir participação direta no projeto governista e um palanque formal para o presidente Lula no Pará, um ponto crucial para a estratégia nacional.
A ausência de um petista na chapa implicaria que Lula dependeria de outros aliados para organizar sua campanha no estado, como Celso Sabino, que disputa uma vaga ao Senado pelo PDT. Nos bastidores, o presidente estadual do PT, senador Beto Faro, já teria sinalizado à militância que uma eventual rejeição ao nome de Dirceu poderia levar o partido a considerar uma candidatura própria ao Governo do Pará, uma manobra que funciona como instrumento de pressão sobre o MDB.
A decisão também tem implicações na eleição para o Senado. A manutenção de Chicão na disputa preserva o arranjo defendido pelo governador Helder Barbalho. Contudo, uma eventual transferência de Chicão para a vice abriria espaço para a reorganização do segundo voto governista, o que poderia beneficiar diretamente Celso Sabino.
A fala de Zé Geraldo não apenas fortalece a militância petista, mas também demonstra que a indicação de Dirceu Ten Caten possui respaldo de uma liderança com vasta trajetória no partido e forte influência nas regiões sul e sudeste do Pará. Isso confere maior peso à reivindicação do PT.
Por outro lado, o tom mais duro adotado pode dificultar uma solução negociada. PT e Avante são parte da base de apoio a Hana Ghassan e precisarão manter a unidade durante a campanha, independentemente de qual legenda seja contemplada na composição majoritária. A vaga de vice-governador não pertence previamente a nenhum partido; sua definição resultará da correlação de forças da aliança, da estratégia eleitoral da candidata e da homologação nas convenções partidárias. Zé Geraldo, com sua intervenção, deixa claro que o PT não abrirá mão da vice sem um embate, adicionando um componente de confronto a uma disputa que já envolvia diversos atores e interesses.
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Fonte: estadodoparaonline.com
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