Porto do Açu mira expansão bilionária para liderar descomissionamento de plataformas

Porto do Açu mira expansão bilionária para liderar descomissionamento de plataformas
Foto: Gabriel Vasconcelos/Agência iNFRA

A nova estratégia do Porto do Açu no mercado offshore

O Porto do Açu, localizado no norte do estado do Rio de Janeiro, está traçando um plano ambicioso para consolidar sua posição como um dos principais polos de descomissionamento de plataformas de petróleo no Brasil. A estratégia atual visa elevar o nível de atuação do complexo, que pretende deixar de ser apenas um ponto de acostagem e manutenção básica para assumir as etapas mais complexas e rentáveis do processo: a limpeza, descontaminação e o desmantelamento integral de embarcações.

Para viabilizar essa transformação, a administração do porto discute com a sua controladora, a Prumo Logística — que tem como acionistas a gestora americana EIG e o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos — um investimento estimado em US$ 100 milhões, o equivalente a cerca de R$ 512 milhões. O montante seria destinado à construção de uma rampa especializada, equipada com maquinário de tração e tecnologia de corte de precisão para o processamento de navios-plataforma, conhecidos como FPSOs.

Parcerias estratégicas e o ciclo de sustentabilidade

Embora a decisão final de investimento (FID) ainda não tenha sido formalizada, o Porto do Açu já estruturou alianças estratégicas para mitigar riscos e garantir expertise técnica. O complexo mantém um consórcio com a empresa norueguesa IKM, que possui larga experiência na descontaminação e neutralização de NORM, o Material Radioativo Naturalmente Ocorrente, um dos maiores desafios ambientais no descarte de ativos offshore.

Além da limpeza, a cadeia de valor se estende para a economia circular. O Porto do Açu mantém tratativas com gigantes do setor siderúrgico, como a Gerdau, interessadas em adquirir a sucata de aço resultante do desmantelamento das estruturas. Esse modelo de negócio busca transformar o passivo ambiental das petroleiras em matéria-prima industrial, otimizando o ciclo de vida das plataformas que encerram suas atividades produtivas.

Demanda crescente da Petrobras e o mercado regional

O cenário para essa expansão é impulsionado pela demanda da Petrobras, que projeta gastos bilionários com o descomissionamento de ativos até 2030. De acordo com o plano de negócios da estatal, a previsão é de um investimento de US$ 9,7 bilhões para o abandono de poços e a retirada de equipamentos, incluindo 18 plataformas de diferentes tipos. O horizonte de longo prazo é ainda mais vasto, com a necessidade de remover outras 50 unidades a partir de 2031.

Segundo o CEO do Porto do Açu, Eugênio Figueiredo, a infraestrutura atual já permite atender simultaneamente mais de três unidades offshore, com potencial de expansão para até oito. Atualmente, o porto abriga a plataforma semissubmersível P-26 e o FPSO P-37, ambos sob contrato com a Petrobras. A meta é evitar que as grandes petroleiras enviem suas embarcações para o exterior, reduzindo custos logísticos e prazos operacionais ao realizar todo o ciclo dentro do território nacional.

O Porto do Açu busca se diferenciar dos estaleiros tradicionais, que focam primariamente na construção e reparo naval. Ao dedicar uma unidade de negócio exclusiva para o descomissionamento, o complexo pretende se tornar uma referência não apenas para o mercado brasileiro, mas para toda a América Latina, oferecendo uma solução integrada, sustentável e eficiente para o encerramento das atividades de exploração de petróleo em águas profundas.

O Inova Carajás segue acompanhando de perto os desdobramentos da infraestrutura logística e os investimentos estratégicos que moldam o futuro industrial do país. Continue conosco para se manter informado sobre as inovações que impulsionam a economia brasileira e os bastidores das grandes operações nacionais.

Fonte: agenciainfra.com

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