O Ministério dos Transportes prepara o lançamento da Rota Vale do Café, que compreende a BR-393 no Rio de Janeiro, como a primeira concessão inteligente de sua carteira para o próximo ano. O projeto, que substitui a antiga Rodovia do Aço, traz um modelo de gestão mais enxuto, com um investimento total de R$ 3 bilhões em Capex. A estratégia central não é a ampliação massiva da capacidade da via, mas sim a modernização focada na segurança dos usuários.
Foco em segurança e eficiência operacional
A nova modelagem contratual prevê apenas 15 quilômetros de duplicação em um trecho total de aproximadamente 200 quilômetros, que conecta os municípios de Volta Redonda a Além Paraíba. Segundo Viviane Esse, secretária de Transporte Rodoviário do Ministério dos Transportes, a prioridade foi estabelecida para reduzir o índice de acidentes na região. O projeto inclui a implementação de 69 dispositivos de segurança, a construção de seis passarelas para pedestres e a criação de um ponto de parada estruturado para caminhoneiros.
A cobrança de pedágio será realizada por meio de três pórticos de free flow, mantendo o mesmo número de praças que operavam na concessão anterior. A secretária explicou que a ampliação de capacidade da rodovia, embora tecnicamente viável, foi deixada para uma fase posterior do contrato. A execução dessas obras extras dependerá de gatilhos de tráfego e de novas decisões sobre o reequilíbrio financeiro, que poderá ser viabilizado por aportes orçamentários, emendas parlamentares ou ajustes tarifários.
Contexto da transição e histórico da via
Atualmente, a gestão da BR-393 está sob responsabilidade do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). O órgão assumiu as operações de manutenção após a saída da K-Infra. O histórico da rodovia é marcado por desafios, desde a concessão original em 2008, vencida pela Acciona e posteriormente transferida para a K-Infra, que enfrentou críticas por falta de experiência na gestão de ativos rodoviários.
A nova modelagem busca evitar que a tarifa de pedágio se torne excessivamente onerosa para o usuário, um problema comum em contratos tradicionais com exigências de obras pesadas logo no início. Ao optar por um modelo de concessão inteligente, o governo pretende garantir a sustentabilidade do projeto enquanto atende às demandas imediatas de segurança e fluidez do tráfego.
Projetos remanescentes e cronograma nacional
Além da BR-393, o governo federal trabalha para destravar outros sete projetos de infraestrutura que não foram absorvidos pelo cronograma de 2026. Entre as prioridades estão as concessões no Rio Grande do Sul, como a Rota Portuária do Sul (BR-116/392/RS) e a Rota Integração do Sul (BR-116/158/290/392/RS), ambas em avançado estágio de tramitação junto ao TCU (Tribunal de Contas da União).
Em Santa Catarina, o planejamento envolve três lotes distintos, com foco nas rodovias BR-153, BR-282, BR-470 e BR-280. Paralelamente, o Executivo busca acordos via SecexConsenso para resolver pendências contratuais da Transbrasiliana (BR-153/SP) e da Planalto Sul (BR-116/PR/SC). A resolução desses casos depende de negociações entre a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e as concessionárias atuais, visando a regularização dos serviços e a continuidade dos investimentos necessários para o país. Saiba mais sobre o setor de infraestrutura no portal Agência iNFRA.
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Fonte: agenciainfra.com