Amapá: o reduto que desafia o poder de Davi Alcolumbre em meio à polarização nacional

Amapá: o reduto que desafia o poder de Davi Alcolumbre em meio à polarização nacional
@clecioluis/Facebook

O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) consolidou-se como uma figura central na política de Brasília, exercendo influência significativa no Congresso Nacional. Com duas passagens pela presidência do Senado, ele demonstrou sua capacidade de pautar debates e até mesmo impor constrangimentos a presidentes da República, como Jair Bolsonaro e Lula, e a candidatos a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Sua atuação incluiu a demora na sabatina de André Mendonça e a rejeição da indicação de Jorge Messias, além de segurar a votação de pedidos de impeachment de magistrados, como o de Alexandre de Moraes, em meio a controvérsias.

No entanto, o poder de Alcolumbre, que emana do Amapá, o segundo menor colégio eleitoral do país com 577.534 votantes, enfrenta agora um teste decisivo. Apesar de seu grupo político comandar o estado há onze anos, o senador vê seu domínio ameaçado em seu próprio reduto, o que pode ter repercussões diretas em seu protagonismo no cenário nacional. A eleição de 2026, embora não o coloque diretamente nas urnas, é crucial para a manutenção de sua base de apoio e influência.

A influência de Alcolumbre em Brasília e as raízes no Amapá

A trajetória de Davi Alcolumbre em Brasília é marcada por sua habilidade em navegar e influenciar as complexas engrenagens do poder. Sua liderança no Senado lhe conferiu uma posição estratégica, permitindo-lhe moldar agendas e decisões que afetam o país. Contudo, a força desse cacique político tem suas raízes no Amapá, estado que o elegeu em 2014 e o reelegeu em 2022, e onde seu grupo mantém uma hegemonia que parece, agora, vacilar.

Apesar da máquina pública e da longa permanência no poder, o cenário eleitoral amapaense para 2026 aponta para desafios consideráveis. O atual governador, Clécio Luis (União Brasil), candidato à reeleição e aliado de Alcolumbre, encontra dificuldades para se firmar, conforme indicam as pesquisas. Essa situação acende um alerta sobre a capacidade do grupo de Alcolumbre de manter o controle político do estado, que tem sido ininterrupto desde a vitória de Waldez Góes em 2014, hoje ministro de Lula.

A ascensão da família Furlan e o desafio em Macapá

O principal adversário de Clécio Luis é o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), que lidera as intenções de voto com uma vantagem expressiva. Macapá, a capital, concentra 56% dos eleitores do Amapá, que possui apenas dezesseis municípios. A reeleição de Furlan como prefeito em 2024, no primeiro turno e com uma margem significativa de votos, demonstra sua forte inserção na principal cidade do estado.

A influência da família Furlan se estende também à corrida pelo Senado. Rayssa Furlan (Podemos), esposa de Antônio Furlan, desponta como favorita na disputa, liderando as pesquisas com folga. Ela já havia chegado perto de conquistar uma vaga em 2022, e agora se consolida como um obstáculo para os aliados de Alcolumbre, como Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo Lula no Congresso, e Alliny Serrão (União Brasil).

A aliança com Lula e a polarização que se reflete no estado

A aliança de Alcolumbre com o presidente Lula era vista como um trunfo estratégico para as eleições de 2026 no Amapá. Ambos têm trabalhado juntos pela reeleição do governador Clécio Luis e de Randolfe Rodrigues. Um exemplo dessa articulação foi a aparição de Lula ao lado de Alcolumbre, Randolfe e Clécio em um navio-sonda da Petrobras na costa do Amapá, logo após a confirmação da descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. O objetivo era capitalizar a notícia e impulsionar os aliados.

Contudo, a força do presidente Lula parece não ser suficiente para reverter o cenário no Amapá, onde ele se encontra tecnicamente empatado nas intenções de voto com Flávio Bolsonaro (PL). Essa polarização nacional, que se reflete no estado, adiciona uma camada de complexidade à estratégia de Alcolumbre e seus aliados, dificultando a consolidação de apoios e a reversão das tendências eleitorais.

Pressões em Brasília e a ofensiva da direita no Amapá

As dificuldades no Amapá se somam a um período de intensa pressão sobre Alcolumbre em Brasília. Recentemente, seu nome foi citado em um relatório apócrifo da Polícia Federal como “alvo estratégico” de uma investigação, e a pressão para que paute o impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado tem crescido. Além disso, o senador tem sido alvo de críticas de colegas por manter a Casa em “recesso branco” em meio a uma crise política.

Essa pressão nacional já repercute diretamente no Amapá. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), figura proeminente da direita bolsonarista, realizou um ato em Macapá que reuniu cerca de 6.000 pessoas, com discursos contundentes contra Alcolumbre e a “velha política”. A ofensiva da direita busca desgastar o senador em seu próprio território, minando sua base e sua legitimidade.

O futuro no Senado e a disputa pela presidência da Casa

Além da batalha em seu reduto, Alcolumbre se preocupa com a renovação de dois terços das cadeiras do Senado em outubro. As pesquisas sugerem um avanço da direita bolsonarista, que o elegeu como adversário, o que poderia resultar em uma maioria de oposição na Casa. Esse cenário abriria caminho para uma candidatura de oposição na eleição para a presidência do Senado em fevereiro de 2027, ameaçando diretamente a posição de Alcolumbre e seu grupo.

A cientista política Mayra Goulart, da UFRJ, observa que a polarização nacional em torno do STF está contribuindo para a eleição de senadores da extrema direita. Assim, mesmo sem ser candidato este ano, Davi Alcolumbre enfrenta uma dupla aflição: a necessidade de manter o controle político do Amapá e, crucialmente, a garantia de sua influência e poder em uma das cadeiras mais relevantes de Brasília. Para mais análises aprofundadas sobre o cenário político brasileiro e seus desdobramentos, continue acompanhando as atualizações do Inova Carajás, seu portal de informação relevante e contextualizada. Acompanhe as últimas notícias sobre política no Brasil.

Fonte: veja.abril.com.br

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