O cenário político e econômico brasileiro exige uma ponte mais sólida entre o setor produtivo rural e as esferas governamentais. Essa foi a tônica do discurso de Arnaldo Jardim, deputado federal (Cidadania-SP) e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), durante sua participação no Global Agrobusiness Festival (GAFFFF), realizado em São Paulo. Para o parlamentar, o momento atual demanda que o Brasil promova um “reencontro” institucional, visando estabilidade e crescimento sustentável para um dos pilares do PIB nacional.
A defesa de Jardim foca em um ponto sensível para investidores e produtores: a segurança jurídica. Em um setor exposto a variações climáticas e oscilações de mercado, a previsibilidade das regras do jogo torna-se um ativo indispensável. Segundo o deputado, a integração entre os elos da cadeia produtiva, o respeito ao meio ambiente e a modernização da matriz energética são os caminhos para que o agronegócio brasileiro mantenha sua competitividade global sem abrir mão da responsabilidade socioambiental.
A busca por um ambiente de negócios estável e previsível
A segurança jurídica no campo não é apenas um conceito abstrato, mas uma necessidade prática que afeta desde o pequeno agricultor até as grandes tradings. Jardim ressaltou que a clareza nas legislações e a manutenção de contratos são fundamentais para atrair capital privado e fomentar a inovação tecnológica. A falta de previsibilidade, segundo ele, gera hesitação e pode travar investimentos que seriam destinados à modernização de infraestruturas rurais.
Durante o painel, o parlamentar destacou que o diálogo com o governo federal deve ser pragmático e focado em resultados. Ele acredita que, independentemente de divergências ideológicas, o Estado e o setor privado precisam convergir em agendas que beneficiem a economia do país. Essa aproximação facilitaria a implementação de políticas públicas mais eficazes, como o acesso ao crédito e a desburocratização de processos regulatórios que hoje oneram o produtor.
O papel estratégico dos biocombustíveis na transição energética
Um dos pontos altos da fala de Arnaldo Jardim foi a defesa da sinergia entre a produção de alimentos e a expansão da energia limpa. O Brasil, já reconhecido mundialmente por sua matriz energética renovável, tem no agronegócio o motor para novas fronteiras, como o combustível sustentável de aviação (SAF) e o biobunker marítimo. Jardim citou o etanol, o biodiesel, o biogás e o biometano como exemplos de como o campo pode liderar a descarbonização da economia.
Para o vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, não há oposição entre segurança alimentar e produção de biocombustíveis. Pelo contrário, a integração dessas atividades otimiza o uso da terra e gera novas fontes de receita para as propriedades rurais. Ele defende que o país deve aproveitar sua liderança tecnológica para se consolidar como um exportador de soluções energéticas sustentáveis, atendendo à crescente demanda internacional por produtos de baixo impacto ambiental.
Autonomia em fertilizantes e o fortalecimento dos bioinsumos
A dependência externa de insumos básicos é um dos grandes desafios logísticos e econômicos do agro brasileiro. Jardim mencionou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) como uma ferramenta essencial para reduzir a vulnerabilidade do país frente a crises geopolíticas que afetam o fornecimento global. A meta é incentivar a produção nacional e garantir que o produtor tenha acesso a insumos com preços mais estáveis e competitivos.
Além dos fertilizantes químicos tradicionais, o deputado destacou o avanço dos bioinsumos. A combinação de proteção química com soluções biológicas representa uma evolução na agricultura de precisão, permitindo um manejo mais equilibrado do solo e das culturas. Essa transição para uma agricultura mais regenerativa é vista como um diferencial estratégico para o Brasil no mercado externo, onde as exigências por sustentabilidade são cada vez mais rigorosas.
Harmonia produtiva e a valorização do trabalho no campo
Desmistificando conflitos narrativos, Jardim afirmou que existe uma convivência harmônica entre a agricultura familiar, os médios produtores e a agricultura de escala. Para ele, todos esses modelos são complementares e essenciais para o abastecimento interno e para a balança comercial. O fortalecimento das cooperativas e das instituições de crédito privado foi citado como um fator que democratiza o progresso no campo, permitindo que diferentes perfis de produtores tenham acesso a tecnologias de ponta.
No entanto, o parlamentar não poupou críticas a decisões que, em sua visão, prejudicam a gestão da mão de obra rural. Ele lamentou o veto ao plano de safristas, argumentando que a valorização do trabalho no campo passa por legislações que compreendam a sazonalidade e as particularidades da atividade agrícola. Jardim reforçou que a agenda do setor deve ser inclusiva, garantindo direitos aos trabalhadores e segurança para quem contrata.
As discussões levantadas por Arnaldo Jardim no GAFFFF reforçam a importância de um agronegócio conectado com as demandas do século XXI. A integração entre política, ciência e produção é o que garantirá que o Brasil continue sendo uma potência agroindustrial. Para continuar acompanhando as principais análises e desdobramentos que impactam o setor produtivo e a economia nacional, continue acessando o Inova Carajás, seu portal de referência para informações contextuais e de alta qualidade.
Fonte: canalrural.com.br