A Cooperativa Mulheres de Barro, sediada em Parauapebas, no Pará, alcançou um reconhecimento de peso no cenário nacional ao ser eleita uma das cinco cooperativas vencedoras da 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato. A distinção coloca o grupo entre as 100 unidades de produção artesanal mais competitivas de todo o Brasil, destacando critérios como excelência técnica, boas práticas de gestão e um compromisso rigoroso com a sustentabilidade.
Trajetória e identidade cultural na região de Carajás
A história da cooperativa está entrelaçada ao desenvolvimento de Parauapebas. Sandra dos Santos Silva, uma das figuras centrais do projeto, recorda que sua trajetória na cidade remonta à década de 1990, quando começou a expor suas peças nos primeiros eventos culturais do município, como a Facipa e o Jeca Tatu. A vivência de Sandra na região começou ainda antes, em 1981, quando sua família chegou ao local durante o período de estruturação urbana do bairro Rio Verde.
O projeto ganhou contornos mais definidos em 2003, após um intercâmbio em Belém que despertou a necessidade de valorizar a identidade cultural local. Dois anos depois, em 2005, a iniciativa integrou o programa de Educação Patrimonial, vinculado ao licenciamento da Mina do Salobo. O trabalho, conduzido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, foi fundamental para conectar as artesãs às raízes históricas da região, baseando-se em achados arqueológicos de cerâmicas produzidas por povos Tupi-Guarani na Serra dos Carajás há cerca de 6 mil anos.
Sustentabilidade e inovação na produção cerâmica
O diferencial da Cooperativa Mulheres de Barro reside na forma como a matéria-prima é obtida. Segundo Sandra, o grupo utiliza argila coletada de descartes em obras licenciadas, uma estratégia que evita a degradação das margens dos rios locais. Além disso, a produção incorpora óxidos minerais reaproveitados de laboratórios de análise mineral, que são transformados em tintas para a aplicação de grafismos arqueológicos, conferindo às peças uma identidade única no mercado.
Após seis anos de capacitação, a cooperativa foi formalizada em 2013. Hoje, o grupo gerencia o Centro de Exposição e Educação Patrimonial Mulheres de Barro, que celebra uma década de atuação. O espaço oferece atividades gratuitas para a comunidade, com foco na imersão artística, contando com o apoio de leis de incentivo e patrocínio do Instituto Vale e empresas do setor de mineração.
Reconhecimento e impacto nacional
A conquista do selo TOP 100 do Sebrae garante à cooperativa o direito de utilizar a marca oficial por três anos, além de visibilidade em catálogos nacionais e participação em eventos de promoção comercial. A cerimônia oficial de premiação está prevista para novembro, no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro.
Para as artesãs, o prêmio transcende o valor comercial. Ele representa a validação de um trabalho que une memória ancestral e técnica contemporânea. A visibilidade alcançada no cenário nacional é vista como um passo importante para fortalecer o cooperativismo artesanal no Pará, garantindo que a história da região de Carajás continue sendo contada através da arte em barro.
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Fonte: cksonline.com.br