A segurança pública permanece como uma das principais preocupações da população brasileira, figurando constantemente no topo das pesquisas de opinião. Em um cenário onde a criminalidade e a atuação de facções são temas urgentes, a busca por soluções efetivas é constante, e a apresentação de propostas concretas por parte de líderes políticos é sempre aguardada com expectativa.
Nesse contexto, uma notícia relevante surge do recém-divulgado Atlas da Violência 2026. O levantamento, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta um dado animador: o Brasil registrou o menor número de homicídios desde 2014. Essa queda representa um alívio para a sociedade e um indicativo de que algumas estratégias de combate à violência podem estar surtindo efeito.
Redução de homicídios: o cenário nacional
A diminuição dos índices de violência letal em escala nacional é um marco significativo. O Atlas da Violência, uma das mais respeitadas análises sobre o tema no país, oferece um panorama detalhado que permite compreender as dinâmicas da criminalidade e as respostas estatais. A constatação de um recuo nos números de homicídios, após anos de desafios, reacende o debate sobre as políticas públicas de segurança e a capacidade de gestão dos estados.
Apesar da média nacional de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes ainda ser considerada alta, a tendência de queda observada desde 2014, culminando no menor patamar em uma década, é um ponto de partida para análises mais aprofundadas sobre os fatores que contribuíram para essa melhora. É um sinal de que, mesmo diante de um cenário complexo, é possível avançar na proteção da vida dos cidadãos.
Goiás e Minas Gerais: avanços na segurança pública
Entre os governadores que podem celebrar os resultados do Atlas da Violência, destacam-se o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Ambos, apontados como potenciais presidenciáveis, viram suas gestões estaduais apresentarem quedas expressivas nos índices de homicídios.
Em Goiás, a situação era desafiadora quando Caiado assumiu o governo em janeiro de 2019. O estado registrava uma taxa de 38,8 mortes para cada 100 mil habitantes em 2018. Ao longo de sua administração, essa taxa foi drasticamente reduzida, atingindo 18,4 mortes em 2024, o que representa uma queda de mais da metade. Em termos absolutos, o número de assassinatos caiu de 2.675 pessoas em 2018 para 1.354 em 2024, impactando diretamente a segurança e a qualidade de vida da população goiana.
Em Minas Gerais, Romeu Zema também obteve resultados positivos. Em 2018, a taxa de homicídios no estado era de 16,2 por 100 mil habitantes. Após assumir em janeiro de 2019, Zema conseguiu reduzir esse índice para 12,8. Embora ainda seja um desafio, essa taxa é significativamente menor que a média nacional, demonstrando um controle mais efetivo da violência no território mineiro.
Panorama estadual: os maiores e menores índices
O Atlas da Violência 2026 também oferece um panorama diversificado sobre a situação da segurança nos demais estados brasileiros. O levantamento destaca que São Paulo, Santa Catarina e o Distrito Federal foram as unidades da federação com as menores taxas de homicídios do país, consolidando-se como referências em políticas de segurança.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), herdou uma taxa já baixa, de 7 mortes por 100 mil habitantes, e conseguiu reduzi-la ainda mais para 6,6 mortes por 100 mil habitantes, a menor do país. Por outro lado, os estados do Amapá (45,7 mortes por 100 mil), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3) e Ceará (34,3) registraram os maiores índices de homicídios, evidenciando a persistência de desafios complexos nessas regiões.
Um dos destaques positivos do relatório é o desempenho do Distrito Federal. No período de 2014 a 2024, a capital federal apresentou, proporcionalmente, os melhores resultados do país, com uma impressionante redução de 66,2% na taxa de homicídios, caindo de 30,5 para 10,3 mortos por cada 100 mil habitantes. Este dado reforça a importância de investimentos contínuos e estratégias bem definidas para a segurança pública.
Desafios persistentes e a importância dos dados
Apesar dos avanços registrados em diversas regiões e da queda nacional nos homicídios, a luta contra a criminalidade é um processo contínuo e complexo. O Atlas da Violência serve como uma ferramenta essencial para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, permitindo que gestores identifiquem tendências, avaliem a eficácia de suas ações e direcionem recursos para as áreas mais críticas.
A redução da violência não é apenas uma questão de números, mas de impacto direto na vida das pessoas, na economia e no desenvolvimento social. Os dados apresentados pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública são um convite à reflexão e à ação, reforçando que a segurança pública deve ser uma prioridade inegociável para todos os níveis de governo.
Para se aprofundar nos dados e análises completas do relatório, você pode consultar o site do Ipea.
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Fonte: veja.abril.com.br