Uma pequena cidade do interior do Paraná registrou um feito inédito e curioso durante o processo eleitoral brasileiro. O município de Marquinho foi o único em todo o território nacional a apontar um empate técnico absoluto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa pela Presidência da República.
Localizada a cerca de 400 quilômetros de Curitiba, a localidade chamou a atenção de analistas políticos e estatísticos ao contabilizar exatamente a mesma quantidade de sufrágios para ambos os principais candidatos ao Palácio do Planalto. Cada um deles conquistou 1.530 votos válidos na segunda etapa do pleito.
Radiografia dos votos e abstenções
De acordo com os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o município paranaense também registrou 25 votos brancos, 42 nulos e 748 abstenções. Com uma população estimada em 4.504 habitantes, a cidade contava com 3.875 eleitores aptos a comparecer às urnas para manifestar suas escolhas políticas.
As estatísticas da Justiça Eleitoral detalham ainda que Lula conseguiu reverter o cenário e anular a desvantagem que acumulava em relação a Flávio Bolsonaro no intervalo entre o primeiro e o segundo turno. Na primeira fase da votação, o petista havia obtido 136 votos a menos do que seu principal adversário na disputa.
A dinâmica do primeiro turno
Na etapa inicial da votação, o candidato do Partido dos Trabalhadores conquistou 1.337 votos dos eleitores locais, enquanto o representante do Partido Liberal alcançou 1.473 apoios. O pleito municipal também contou com a participação de outras siglas e candidaturas que influenciaram o resultado final.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, então filiado ao União Brasil, ficou na terceira colocação no primeiro turno com 65 votos. Em seguida apareceram Augusto Cury pelo Avante, com 62 apoios, e Renan Santos pelo movimento Missão, somando 33 sufrágios. A análise dos números sugere que a migração desses eleitores derrotados na primeira etapa acabou beneficiando a campanha petista na reta final.
Perfil econômico e gestão local
Fundada em 1994, a cidade de Marquinho possui sua base econômica fortemente atrelada ao agronegócio, com destaque expressivo para o cultivo de soja. O município é administrado pelo prefeito Elio Bolzon Junior, filiado ao MDB, que optou por manter neutralidade e não declarou apoio público a nenhum dos presidenciáveis durante a campanha.
Em declarações concedidas à imprensa regional, o chefe do executivo municipal destacou que, apesar da polarização evidente nas urnas, o pleito ocorreu sem qualquer registro de conflito ou animosidade entre os moradores. Conhecido popularmente como Juninho, o prefeito foi reeleito em 2024 sem adversários na disputa, conquistando 84,48% dos votos válidos.
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Fonte: veja.abril.com.br