Empresas chinesas sinalizam interesse em novos leilões portuários brasileiros

Empresas chinesas sinalizam interesse em novos leilões portuários brasileiros
Vosmar Rosa / MPor

O governo brasileiro intensificou as tratativas para atrair capital estrangeiro ao setor de infraestrutura logística. Durante agenda oficial realizada na China, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, identificou um apetite renovado de grandes companhias asiáticas pelos próximos leilões de concessão de canais de acesso e terminais portuários no Brasil. O movimento ocorre em um momento estratégico, no qual o país busca diversificar fontes de financiamento para obras de grande porte.

Desafios macroeconômicos e o interesse do capital estrangeiro

Embora o interesse das empresas chinesas seja evidente, o diálogo também abordou as cautelas naturais do mercado internacional. Segundo o ministro Tomé Franca, em entrevista à Agência iNFRA, investidores estrangeiros têm monitorado de perto a financiabilidade dos projetos e o impacto do custo de capital no Brasil. O cenário de juros elevados é um ponto de atenção recorrente nas mesas de negociação, mas não tem sido suficiente para afastar o interesse em ativos estratégicos.

Para mitigar essas preocupações, o governo tem buscado pontes institucionais. Um dos desdobramentos da viagem foi o encontro com a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff. O objetivo é alinhar as áreas técnicas do ministério com a instituição financeira dos BRICS para estruturar projetos que se encaixem no perfil de crédito do banco, que atualmente não possui terminais portuários ou aeroportuários brasileiros em sua carteira de investimentos.

Projetos estratégicos no radar asiático

A lista de empreendimentos que despertam a atenção dos investidores chineses é vasta e abrange diferentes regiões do país. Entre os ativos citados pelo ministro, destacam-se projetos de concessão hidroviária e arrendamentos portuários previstos para o biênio 2024-2025. O Tecon Santos 10, no Porto de Santos, figura como um dos principais pontos de interesse, dada a sua relevância para a movimentação global de contêineres.

Além de Santos, o governo apresentou oportunidades em outras regiões, como o terminal no Porto de São Sebastião, em São Paulo, e o arrendamento para granéis sólidos em Vila do Conde, no Pará. A Hutchison Ports, gigante de Hong Kong, foi uma das empresas que manifestou interesse direto nos processos licitatórios que o Ministério de Portos e Aeroportos pretende lançar em breve.

Expansão da presença chinesa na infraestrutura nacional

A relação entre o Brasil e empresas chinesas no setor de dragagem e infraestrutura não é nova. A subsidiária da China Communications Construction Company (CCCC), a CHEC Dredging, já havia participado da disputa pelo canal de acesso do Porto de Paranaguá, no Paraná. Agora, o foco se volta para novos canais, com destaque para os projetos de Itajaí, em Santa Catarina, e a concessão integrada com a Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul.

A presença da CCCC no Brasil já é consolidada em obras como o túnel Santos-Guarujá e a ponte Salvador-Itaparica. Com a continuidade das agendas com grupos como COFCO, CSCEC e China Merchants Port Holdings, o governo federal reforça a narrativa de que o Brasil vive um ciclo robusto de investimentos. A expectativa é que essa aproximação diplomática e técnica se traduza em maior competitividade nos certames e no fortalecimento da malha logística nacional.

O Inova Carajás segue acompanhando de perto os desdobramentos desses leilões e o impacto das parcerias internacionais no desenvolvimento da infraestrutura brasileira. Continue conectado ao nosso portal para receber informações apuradas, análises de mercado e as principais atualizações sobre o setor econômico e de infraestrutura com a credibilidade que você já conhece.

Fonte: agenciainfra.com

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