Mulheres eleitas: Congresso Nacional registra avanço histórico na representatividade

Mulheres eleitas: Congresso Nacional registra avanço histórico na representatividade
Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O cenário político brasileiro testemunha um marco significativo com a eleição da maior bancada feminina da história para o Congresso Nacional. Tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, o número de mulheres eleitas e empossadas para a próxima legislatura representa um avanço notável na busca por maior representatividade de gênero no parlamento. Este incremento, embora ainda distante da paridade, reflete uma mudança gradual, mas importante, na composição do poder legislativo do país.

Apesar de uma leve retração no total de candidaturas femininas, a eficiência nas urnas demonstrou que a presença feminina nas casas legislativas está em ascensão. Essa tendência aponta para um eleitorado mais consciente da importância da diversidade de vozes na formulação de políticas públicas e na representação dos interesses da sociedade.

Crescimento da Bancada Feminina na Câmara e no Senado

Na Câmara dos Deputados, o salto foi expressivo: o número de mulheres eleitas passou de 90 para 109, um aumento de 21%. Este crescimento é particularmente relevante ao considerar que houve uma queda no número de candidatas. Em 2022, 3.317 mulheres disputaram o cargo de deputada federal, enquanto em 2026, esse número diminuiu para 2.820, uma retração de 24%. A eleição de mais mulheres com menos candidaturas sugere uma maior qualificação das campanhas ou uma melhor aceitação por parte do eleitorado.

No Senado Federal, o avanço também foi palpável. Entre as 54 vagas em disputa, os brasileiros elegeram doze mulheres, o maior número desde a redemocratização. Em 2018, quando dois terços da Casa foram renovados, oito mulheres haviam sido eleitas. Com o resultado desta eleição, o total de senadoras passará dos atuais quinze para dezoito integrantes na próxima legislatura, que tomarão posse em fevereiro e terão mandatos até 2035. O Senado, composto por 81 senadores com mandatos de oito anos, renova um terço ou dois terços de suas cadeiras a cada quatro anos, tornando cada eleição um momento crucial para a reconfiguração de sua composição.

Desafios Persistentes na Busca pela Equidade

Apesar dos avanços inegáveis, as mulheres continuam sendo minoria nas duas Casas Legislativas. Na Câmara, a bancada feminina representará 21% dos 513 deputados da próxima legislatura. Entre os partidos, a federação composta por PT, PCdoB e PV foi a que elegeu a maior parcela de mulheres, com 34 das 109 eleitas. No Senado, a quantidade de senadoras chegará a 22,2% das 81 cadeiras.

A representatividade regional também varia. O Distrito Federal, por exemplo, elegeu duas mulheres e, somando-se a uma representante já existente, se tornará a única unidade da Federação com três senadoras. Em contraste, o Piauí permanece como o único estado que nunca elegeu uma mulher para o Senado, evidenciando as disparidades regionais e a necessidade de políticas de incentivo à participação feminina em todas as esferas.

Representatividade e o Alinhamento com Pautas Femininas

A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Flávia Biroli, ressalta que o aumento na quantidade de parlamentares eleitas não se traduz, necessariamente, em políticas voltadas para as mulheres. Segundo a especialista, com o crescimento do número de mulheres em cargos eletivos, aumenta também a diversidade de pensamentos e ideologias entre elas. Isso significa que algumas parlamentares podem defender perspectivas que não são necessariamente igualitárias ou que até mesmo se alinham a visões patriarcais.

Um exemplo citado pela professora é o de uma senadora que votou contra a lei de igualdade salarial entre mulheres e homens. Essa observação é crucial para o debate sobre representatividade, pois destaca que a mera presença física de mulheres no parlamento não garante, por si só, o avanço de uma agenda de gênero. A qualidade da representação e o compromisso com as pautas femininas são fatores igualmente importantes.

Avanço e Contraste na Representatividade de Mulheres Negras

Um dos destaques desta eleição foi o aumento da quantidade de mulheres negras eleitas, ao menos na Câmara dos Deputados. Um levantamento da Organização Mulheres Negras Decidem contabilizou a eleição de ao menos 15 mulheres negras para deputadas federais em 2026, um aumento de 66,6% em relação a 2022, quando nove deputadas negras foram eleitas. Tainah Pereira, coordenadora política da organização, celebra o avanço, notando que a maioria dessas mulheres é jovem, o que sugere uma renovação feminina e negra promissora para a próxima legislatura.

No entanto, o Senado apresentou um contraste. Das doze senadoras eleitas, nenhuma é negra. Esse resultado é um revés, considerando o histórico de mulheres negras no Senado. Eliziane Gama (PT), senadora autodeclarada negra pelo Maranhão, não foi reeleita. Outras duas candidatas negras, Mariana Silva (Rede), que já foi senadora pelo Acre, e Benedita da Silva (PT), a primeira mulher negra eleita para o Senado em 1998, também não obtiveram sucesso na disputa. Até hoje, apenas quatro mulheres negras ocuparam uma cadeira no Senado, evidenciando que, apesar dos avanços em uma casa, a luta pela representatividade interseccional ainda enfrenta barreiras significativas em outras.

O aumento da bancada feminina no Congresso Nacional é um passo importante para a democracia brasileira, mas os desafios persistem. Acompanhar a atuação dessas parlamentares e a evolução das pautas de gênero será fundamental para consolidar os avanços e garantir que a representatividade se traduza em políticas públicas mais inclusivas e equitativas. Continue acompanhando o Inova Carajás para análises aprofundadas e notícias relevantes sobre política, sociedade e os temas que impactam o seu dia a dia.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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