Brasília recebe filhote de onça-pintada resgatada no Pará para reabilitação no Ibama

Brasília recebe filhote de onça-pintada resgatada no Pará para reabilitação no Ibama
Mais forte e recuperado, o animal agora segue o tratamento em Brasília– unidade de referência nacional na reabilitação de grandes felinos Jornada para o DF

Uma filhote de onça-pintada de apenas 4 meses de idade, resgatada em condições precárias no Pará, foi transferida para o Distrito Federal nesta semana. O animal, que foi encontrado em uma fazenda onde era mantido como animal de estimação, agora inicia um processo intensivo de reabilitação no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Brasília, uma unidade reconhecida nacionalmente por sua expertise no cuidado de grandes felinos.

A história da pequena onça-pintada, um símbolo da rica biodiversidade brasileira e espécie ameaçada de extinção, acende um alerta sobre o tráfico de animais silvestres e a posse ilegal. O resgate e a subsequente jornada para a capital federal representam um esforço conjunto de conservação, visando oferecer uma segunda chance a este felino e, idealmente, prepará-lo para um retorno seguro à natureza.

O resgate e os primeiros cuidados no Pará

A filhote de onça-pintada foi resgatada em Altamira, no Pará, em junho, após a família que a mantinha ilegalmente acionar o Cetas. Segundo o Ibama, a oncinha passou cerca de 30 dias na fazenda, sendo criada como um animal de estimação, uma prática que, além de ilegal, é extremamente prejudicial ao desenvolvimento e à saúde de um animal selvagem.

Quando resgatada, a fêmea apresentava um quadro preocupante de deficiência nutricional e alopecia difusa, caracterizada pela perda de pelo em diversas regiões do corpo. Esses sinais indicavam a inadequação do ambiente e da dieta a que estava submetida. Desde então, a onça recebia cuidados intensivos no Cetas Benevides, localizado na região metropolitana de Belém, onde sua condição de saúde foi estabilizada e fortalecida.

A jornada para o Distrito Federal e o apoio logístico

A transferência da filhote para Brasília foi um passo crucial em seu tratamento, dado o status do Cetas da capital como referência nacional na reabilitação de grandes felinos. Para que a onça pudesse percorrer o longo trajeto do Pará ao Distrito Federal com segurança e rapidez, os técnicos do Ibama contaram com o apoio logístico do programa Avião Solidário da Latam.

Essa parceria foi fundamental, reduzindo o tempo de viagem de mais de um dia para apenas três horas, minimizando o estresse do animal. O programa Avião Solidário, em seus 14 anos de atuação, demonstra o impacto positivo da colaboração entre entidades públicas e privadas, tendo transportado mais de 4,6 mil animais, além de voluntários e doações para ações humanitárias e ambientais em todo o país.

Raquel Argentino, gerente de Sustentabilidade e Impacto Social da Latam, ressaltou a importância dessas iniciativas. “Apoiar a preservação de espécies ameaçadas e oferecer uma nova chance a animais como este filhote de onça é motivo de grande orgulho para o programa Avião Solidário e evidencia a importância de colocar nossa conectividade a favor de iniciativas socioambientais”, afirmou.

Desafios da reabilitação e o futuro do felino

Agora em Brasília, a filhote de onça-pintada entra em uma nova e decisiva fase de sua reabilitação. Os veterinários e especialistas do Ibama iniciarão um rigoroso protocolo de avaliação comportamental, que determinará se o animal possui as aptidões necessárias para um eventual retorno à natureza. Júlio César Montanha, chefe do Cetas Brasília, confirmou que a onça está saudável e com peso adequado para a idade, um bom presságio para as próximas etapas.

O principal objetivo da reabilitação de felinos como a onça-pintada é desenvolver seu instinto selvagem, tornando-o mais arisco e independente, sem que associe a presença humana à obtenção de alimento. Essa readaptação é vital para que o animal possa sobreviver em seu habitat natural sem se aproximar de áreas habitadas, evitando conflitos com comunidades locais e garantindo sua segurança.

A avaliação, que deve durar cerca de 30 dias, é crucial. Caso a onça não demonstre as aptidões necessárias para a soltura, o Cetas buscará alternativas adequadas, como a integração em santuários ou zoológicos que possam oferecer um ambiente enriquecido e seguro para o restante de sua vida. Este processo complexo e dedicado reflete o compromisso do Ibama e de seus parceiros com a conservação da fauna brasileira e a luta contra o tráfico de animais.

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Fonte: cksonline.com.br

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