Em um desfecho que celebra a resiliência humana e a paixão pela aviação, o piloto Altevir Edson de Alencar, de 72 anos, recebeu alta médica nesta segunda-feira (25), após sobreviver a um impressionante acidente aéreo. A aeronave de pequeno porte que ele pilotava caiu em uma área rural do distrito de Murinim, em Benevides, na Grande Belém, no dia 15 de maio. O incidente, que mobilizou equipes de resgate e a comunidade local, foi provocado por uma colisão com um urubu, um perigo inesperado nos céus da região.
A notícia da recuperação de Altevir traz alívio para sua família e para todos que acompanharam a intensa busca que se seguiu à queda. Encontrado com vida cerca de 26 horas após o acidente, a aproximadamente um quilômetro do local da colisão, o piloto demonstrou uma notável capacidade de resistência em um ambiente desafiador. Sua experiência e profundo conhecimento da aeronave, que ele mesmo ajudou a construir, são apontados como fatores cruciais para a superação deste momento crítico.
A queda inesperada e a luta pela sobrevivência
O acidente ocorreu por volta das 10h do dia 15 de maio. Segundo relatos, a colisão com um urubu durante o voo foi o gatilho para a perda de controle do monomotor. A aeronave, que estava em situação regular de acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), precipitou-se em uma área de mata densa, característica da paisagem paraense.
Após a queda, ferido, Altevir tomou a decisão de deixar os destroços do avião em busca de socorro. Em um ato de coragem e desespero, ele adentrou a mata, um ambiente hostil e desconhecido para quem não está preparado, e acabou se perdendo. Essa atitude, embora arriscada, foi fundamental para que ele não ficasse preso nos destroços, que, conforme as equipes de resgate constataram, tiveram a parte frontal cravada no solo e a estrutura do piloto completamente esmagada.
A paixão pela aviação e a aeronave artesanal
A história de Altevir com a aviação é marcada por uma paixão profunda. Antes do acidente, o piloto havia compartilhado um vídeo nas redes sociais, onde expressava seu amor por voar e o orgulho de sua aeronave. “Como eu não tinha condições de comprar avião, comprei o material e fabriquei 90% desse aqui. Está homologado, todo documentado. Eu vou para qualquer canto com ele. Um avião muito seguro”, declarou Altevir no vídeo, revelando a conexão íntima com o aparelho que o levou aos céus e, por pouco, não lhe custou a vida.
Essa dedicação à construção e manutenção de sua própria aeronave não é apenas um hobby, mas um testemunho de sua perícia e confiança. Pilotos que constroem seus aviões desenvolvem um conhecimento técnico aprofundado de cada componente, o que pode ter influenciado suas ações e decisões em momentos de extrema pressão, como o enfrentado durante e após a queda.
O complexo trabalho de buscas e o resgate
Quando as equipes de resgate chegaram ao local do acidente, a ausência do piloto na aeronave deu início a uma complexa operação de buscas na vasta área de mata. A Força Aérea Brasileira (FAB) foi acionada, e o Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa I) iniciou a apuração da ocorrência, um procedimento padrão para garantir a segurança aérea.
A busca por Altevir durou mais de um dia, mobilizando o Corpo de Bombeiros e outras forças de segurança. Próximo aos destroços, foram encontrados objetos pessoais do piloto, como relógio, óculos e peças de vestuário, além de um vidro quebrado com manchas de sangue, indicando a gravidade dos ferimentos. A descoberta de Altevir, vivo, após 26 horas, foi um momento de grande alívio. Ele recebeu os primeiros atendimentos ainda no local e foi prontamente encaminhado ao Hospital Metropolitano em Ananindeua, onde permaneceu internado até sua alta.
Investigação sobre a queda de avião no Pará e segurança aérea
A colisão com aves, como o urubu, é um risco conhecido na aviação, especialmente em regiões com grande biodiversidade e áreas rurais. Esses incidentes, embora relativamente raros em relação ao número total de voos, podem ter consequências catastróficas para aeronaves de pequeno porte. A investigação conduzida pelo Seripa I será crucial para entender as circunstâncias exatas do acidente, identificar possíveis falhas e propor medidas preventivas para aumentar a segurança dos voos na região.
A experiência de Altevir, um piloto experiente com muitas horas de voo, e a regularidade de sua aeronave, conforme atestado pela Anac, reforçam a imprevisibilidade de eventos como uma colisão com fauna. Este caso serve como um lembrete constante dos desafios inerentes à aviação e da importância da vigilância e da manutenção rigorosa para a segurança de todos que utilizam o espaço aéreo brasileiro.
Para continuar acompanhando as notícias mais relevantes, atualizadas e contextualizadas sobre o Pará, o Brasil e o mundo, siga o Inova Carajás. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, com profundidade e credibilidade, para que você esteja sempre bem informado sobre os temas que realmente importam.