A regulamentação da Lei dos Defensivos Agrícolas, um tema de vital importância para o agronegócio brasileiro, foi o centro de um intenso debate nesta quarta-feira, dia 1º, na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal. A discussão focou nos desafios e na urgência da implementação da Lei nº 14.785/2023, que foi posteriormente alterada pela Lei nº 15.070/2024. Este novo marco legal visa modernizar e otimizar as diretrizes para a pesquisa, registro, produção, comercialização e fiscalização de defensivos agrícolas e bioinsumos em todo o país.
A pauta, que mobiliza diversos setores da economia e da sociedade, reflete a busca por um equilíbrio entre a necessidade de impulsionar a produtividade agrícola e a garantia de proteção à saúde humana e ao meio ambiente. A demora na regulamentação da lei, já aprovada, tem gerado incertezas e preocupações, especialmente para os produtores rurais e a indústria, que dependem de um ambiente regulatório claro e eficiente para planejar seus investimentos e operações.
O novo marco legal e a busca por eficiência no campo
A Lei dos Defensivos Agrícolas representa um avanço significativo na legislação brasileira, propondo um sistema mais ágil e menos burocrático para a aprovação de novos produtos. O senador Jaime Bagattoli (PL-RO), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), foi o proponente da audiência pública e um dos principais defensores da celeridade na regulamentação. Segundo Bagattoli, o objetivo primordial do Parlamento ao aprovar a lei foi reduzir a burocracia, ampliar a segurança jurídica e conferir maior eficiência ao processo regulatório, sem, contudo, flexibilizar os critérios essenciais de proteção à saúde e ao meio ambiente.
O senador criticou a lentidão na regulamentação da norma, argumentando que interpretações administrativas não podem limitar a eficácia de uma lei aprovada. Ele ressaltou a importância de o sistema acompanhar a dinâmica da produção agropecuária, citando como exemplo o tempo excessivo – de cinco a sete anos – que o processo de registro de um novo insumo pode levar no Brasil. Essa demora, na visão dos parlamentares e do setor produtivo, impede que a ciência e a tecnologia mais recentes cheguem rapidamente ao campo, impactando diretamente a competitividade e a inovação.
Desafios da implementação e o impacto na competitividade
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), representada por Ana Lígia Aranha Lenat, reforçou que a nova legislação trouxe mais previsibilidade ao setor ao estabelecer critérios técnicos modernizados para o registro de defensivos agrícolas e, especialmente, de bioinsumos. No entanto, ela alertou que a existência de interpretações divergentes entre os órgãos e a contínua falta de regulamentação podem comprometer seriamente a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global.
Essa preocupação é corroborada por Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ele destacou que, embora o novo marco legal tenha o potencial de tornar o sistema mais eficiente sem reduzir os padrões de proteção, o Brasil ainda enfrenta um tempo médio de aprovação de novas moléculas de aproximadamente sete anos, um período consideravelmente maior do que os cerca de quatro anos observados em outros países produtores. Essa disparidade temporal se traduz em desvantagem competitiva, uma vez que impede os agricultores brasileiros de acessarem inovações que já estão disponíveis para seus concorrentes internacionais.
A visão dos órgãos reguladores e a coordenação necessária
Os órgãos reguladores, peças-chave na implementação da lei, também se manifestaram. Cássia de Fátima Rangel Fernandes, gerente-geral de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), defendeu veementemente a regulamentação como forma de reduzir divergências entre as instituições envolvidas e proporcionar maior previsibilidade ao processo. Ela afirmou que a agência tem mantido os prazos legais e trabalhado ativamente para reduzir o estoque de análises pendentes, demonstrando o esforço interno para agilizar os procedimentos.
Pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Grilli Felizardo enfatizou que a regulamentação é crucial para garantir a estabilidade regulatória, a previsibilidade dos investimentos e uma maior harmonização entre os diversos órgãos fiscalizadores. A coordenação entre as entidades é um ponto sensível, como apontou o deputado Rafael Simões (União-MG), também integrante da FPA. Ele defendeu que a eficiência no processo de aprovação de novas moléculas depende intrinsecamente de uma atuação coordenada e sinérgica entre todos os órgãos responsáveis, evitando gargalos e burocracias desnecessárias.
Perspectivas futuras e o papel do Senado
O debate no Senado Federal sublinha a complexidade e a urgência de se consolidar um ambiente regulatório que atenda às demandas de um agronegócio moderno e sustentável. A Lei dos Defensivos Agrícolas, com suas atualizações, tem o potencial de impulsionar a inovação e a produtividade, mas sua efetividade está diretamente ligada à clareza e agilidade de sua regulamentação. A pressão do setor produtivo e o engajamento parlamentar indicam que o tema continuará em pauta, com o Senado desempenhando um papel fundamental na fiscalização e no estímulo à conclusão desse processo.
A expectativa é que a atuação conjunta de legisladores, órgãos reguladores e representantes do setor produtivo possa, em breve, traduzir o espírito da nova lei em práticas que beneficiem tanto a economia quanto a saúde pública e o meio ambiente, consolidando o Brasil como um líder agrícola com responsabilidade e inovação. Para mais informações sobre os debates que moldam o futuro do agronegócio e outras notícias relevantes, acompanhe as atualizações da Frente Parlamentar da Agropecuária e continue conectado ao Inova Carajás. Nosso compromisso é trazer a você informação de qualidade, contextualizada e que realmente importa para o seu dia a dia.
Fonte: canalrural.com.br