Em um encontro com diplomatas estrangeiros em Brasília, o pré-candidato à presidência da República pelo Missão, Renan Santos, apresentou uma perspectiva surpreendente sobre a política externa brasileira, defendendo o não envolvimento do país no conflito entre Rússia e Ucrânia. A declaração, que gerou repercussão entre os presentes, sinaliza uma guinada pragmática e focada em questões internas, caso sua plataforma política venha a ser adotada.
O evento, promovido pelo site The Brazilian Report e pela agência Novo Selo Comunicação, reuniu embaixadores e representantes de diversas nações, incluindo países europeus diretamente impactados pela guerra, como Dinamarca, Países Baixos, França, Reino Unido e Portugal. A plateia internacional ouviu atentamente a posição de Santos, que classificou o conflito como um “problema para vocês na Europa”, distanciando o Brasil da pauta.
Renan Santos e a visão pragmática sobre o conflito europeu
A fala de Renan Santos sobre a guerra na Ucrânia se destacou por sua franqueza e por desviar-se do tom usualmente adotado por figuras políticas em contextos diplomáticos. Ao afirmar que o conflito não é um problema do Brasil, Santos sublinha uma abordagem isolacionista para certas questões globais, priorizando uma agenda doméstica robusta.
Essa postura pode ser interpretada como uma tentativa de redefinir o papel do Brasil no cenário internacional, afastando-o de alinhamentos tradicionais ou de pressões para tomar partido em disputas distantes. Historicamente, o Brasil tem buscado uma política externa de não-intervenção e multilateralismo, mas a declaração de Santos vai além, sugerindo uma despriorização explícita do tema em sua agenda.
A verdadeira guerra do Brasil: combate implacável ao crime organizado
Em contraste com sua posição sobre a Ucrânia, Renan Santos enfatizou que a verdadeira “guerra” do Brasil é interna e deve ser travada contra o crime organizado. Ele argumentou que a violência gerada por facções criminosas no país causa mais mortes anualmente do que o conflito no leste europeu, citando o número de 40 mil óbitos por ano no Brasil.
Essa comparação dramática serve para ilustrar a urgência e a gravidade do problema da segurança pública no Brasil, colocando-o no centro de sua plataforma. Santos mencionou especificamente facções como o PCC e o Comando Vermelho, defendendo a necessidade de “destruir completamente” essas organizações criminosas.
Cooperação internacional sem amarras ideológicas
Apesar de sua postura de não envolvimento em conflitos externos, Renan Santos demonstrou abertura para a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Ele afirmou aceitar apoio de qualquer fonte, seja na forma de “drones russos” ou “voluntários norte-americanos”, desde que não haja “amarras ideológicas” que comprometam a eficácia da ação.
Essa flexibilidade sugere uma abordagem pragmática para a segurança nacional, onde os resultados superam as considerações geopolíticas ou ideológicas. A proposta de Santos inclui a criação de uma força-tarefa regional na América do Sul para combater o crime transnacional, integrando inteligência, policiamento e infraestrutura com países vizinhos como Bolívia, Colômbia e Venezuela.
Brasil como “irmão mais velho” na América do Sul
Na visão do pré-candidato, o Brasil deveria assumir um papel de “irmão mais velho do grupo” na América do Sul, liderando esforços de cooperação regional sem, contudo, impor uma visão de “Brasil imperial” sobre seus vizinhos. Essa proposta visa fortalecer a segurança na região, reconhecendo que o crime organizado não respeita fronteiras e exige uma resposta coordenada.
A ideia de uma colaboração mais estreita entre os países sul-americanos para enfrentar desafios comuns de segurança é um tema recorrente na política regional, mas a ênfase de Santos na desideologização da cooperação e na liderança brasileira, sem hegemonia, adiciona uma nuance particular à discussão.
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Fonte: veja.abril.com.br