Samara Martins detalha plano de governo com salário mínimo dobrado e jornada 4×3

Samara Martins detalha plano de governo com salário mínimo dobrado e jornada 4x3
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A corrida presidencial de 2026 ganha contornos de debate ideológico com a apresentação do programa de governo de Samara Martins, candidata do partido Unidade Popular (UP). Sob o título Unidade Popular pelo Socialismo, o documento de 67 páginas delineia uma proposta ambiciosa de transformação estrutural do Brasil, com foco na superação das desigualdades do capitalismo e na construção de uma sociedade socialista. Entre as medidas de maior impacto, destacam-se a promessa de dobrar o salário mínimo e a instituição de uma jornada de trabalho de quatro dias por semana, a chamada escala 4×3.

A candidatura da UP, formada exclusivamente por mulheres, é encabeçada por Samara Martins, uma cirurgiã-dentista de 38 anos e trabalhadora do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Norte. Sua vice é Raquel Brício, 34 anos, guarda portuária e dirigente sindical no Pará. Essa chapa reflete a identidade do partido, fundado em 2016 e posicionado no campo da esquerda radical, que busca representar os interesses das camadas populares e minorias sociais.

As propostas econômicas de Samara Martins e a crítica ao sistema

O programa de governo da UP faz um diagnóstico contundente da economia de mercado brasileira, afirmando que a desigualdade no país não é natural, mas sim resultado de um modelo que prioriza os interesses capitalistas em detrimento das necessidades populares. Nesse contexto, as propostas econômicas são radicais e visam a uma reestruturação profunda.

No eixo de trabalho e salário, a UP propõe dobrar o valor atual do salário mínimo de forma imediata, o que representaria um acréscimo exato de R$ 1.621, elevando o total para R$ 3.242. Além disso, defende o fim da escala 6×1, substituindo-a pela escala 4×3 para todos os trabalhadores do país, uma medida que visa aprimorar a qualidade de vida e o bem-estar. A garantia de emprego para todas as pessoas adultas aptas a trabalhar também é um pilar central, buscando erradicar o desemprego estrutural.

Ainda na esfera econômica, o programa prevê a suspensão imediata do pagamento da dívida pública e a realização de uma auditoria cidadã, com a estimativa de redirecionar cerca de R$ 2 trilhões para políticas sociais. A nacionalização dos bancos e a estatização do sistema financeiro, com fusão das instituições sob controle estatal e gestão dos trabalhadores, representam um rompimento com o modelo atual. A UP também propõe o fim da autonomia do Banco Central (BC), submetendo suas políticas monetária e cambial às diretrizes de desenvolvimento social do governo.

Estatização e controle público de setores estratégicos

Um dos pontos mais ambiciosos do plano é a reestatização de empresas privatizadas, com menção explícita à Eletrobras e à Petrobras, que passariam a ter controle 100% estatal. Outras empresas como a Vale, companhias que controlam ferrovias, e empresas de saneamento e telecomunicações também seriam retomadas pelo Estado. A proposta inclui ainda o monopólio público em setores como geração de energia, mineração, produção e distribuição de combustíveis e indústria de defesa.

O programa estabelece o fim de novas privatizações e dos leilões de petróleo, além da revisão e eventual revogação das concessões privadas de portos, aeroportos e rodovias. No transporte urbano, a UP prevê a estatização das frotas, a criação de empresas públicas e a reestatização de linhas privatizadas de metrô e trem, com o fortalecimento da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Essas medidas visam a garantir o acesso a serviços essenciais como direitos, e não como mercadorias.

Reforma tributária e a ampliação dos direitos sociais

Na área tributária, a UP propõe a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores, a retirada de impostos sobre itens da cesta básica e produtos essenciais, e a instituição de uma tributação progressiva sobre grandes fortunas, lucros, dividendos e heranças de bilionários. Mudanças nos impostos ICMS/IVA também são previstas, com redução de alíquotas e isenções para determinados produtos, buscando aliviar a carga sobre os mais pobres e aumentar a contribuição dos mais ricos.

A candidatura de Samara Martins também aborda a pauta dos direitos humanos de forma abrangente. Propõe a criminalização da misoginia, a ampliação da rede de atendimento às mulheres, a igualdade salarial com homens, a criação de uma rede pública de cuidados e a descriminalização e legalização do aborto. Para a população negra, o plano fala em ampliação das ações afirmativas e titulação de territórios quilombolas. A demarcação e a titulação de terras indígenas também são pontos cruciais, ao lado de uma ampla reforma agrária e a “nacionalização da terra”.

A reforma urbana é outro destaque, com foco na produção pública de moradias, urbanização de favelas, regularização fundiária, utilização de imóveis públicos ociosos e desapropriação de propriedades que não cumpram sua função social. Essas propostas visam a combater a especulação imobiliária e garantir o direito à moradia digna para todos.

Segurança, justiça e o papel da comunicação na sociedade

Na área de segurança pública, o programa da UP prevê a desmilitarização das polícias, a reorganização das carreiras policiais e uma mudança no modelo de segurança, buscando uma abordagem mais humanizada e menos repressiva. O Poder Judiciário passaria por uma reforma profunda, com a eleição direta de juízes e tribunais superiores, e o fim dos chamados “penduricalhos” que elevam salários acima do teto constitucional. O plano também defende o fortalecimento da Justiça do Trabalho e uma reforma do sistema penitenciário.

No setor de comunicações, o programa prevê a “estatização dos monopólios de TV e rádio” e o apoio à imprensa comunitária e alternativa, buscando democratizar o acesso à informação e combater a concentração midiática. As políticas culturais teriam como prioridade o incentivo à cultura popular e uma proposta de nacionalização de grandes gravadoras e produtoras cinematográficas, visando a valorizar a produção nacional e popular.

As propostas de Samara Martins e do Unidade Popular representam um contraponto significativo aos modelos econômicos e sociais predominantes, prometendo um debate eleitoral intenso e focado em visões de futuro distintas para o Brasil. Para acompanhar a cobertura completa das eleições de 2026, análises aprofundadas sobre os programas de governo e as últimas notícias que impactam o cenário nacional, continue conectado ao Inova Carajás. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, para que você esteja sempre bem-informado.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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