Leilão de terminal no Porto de Fortaleza recebe aval do TCU com exigências de revisão

Leilão de terminal no Porto de Fortaleza recebe aval do TCU com exigências de revisão
Foto: ANTAQ

O Tribunal de Contas da União (TCU) concedeu aval na última quarta-feira (2) para o governo federal prosseguir com o aguardado leilão do terminal de contêineres MUC04, localizado no estratégico Porto de Fortaleza, no Ceará. A decisão, no entanto, veio acompanhada de condições importantes que demandam ajustes nos estudos de viabilidade do projeto, sinalizando um rigor na análise de infraestrutura portuária.

Antes da publicação do edital, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) deverão revisar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) do arrendamento. Essa adequação pode levar a um aumento significativo nas projeções de movimentação do ativo, refletindo uma busca por maior eficiência e aproveitamento da capacidade portuária.

Ajustes Cruciais no Estudo de Viabilidade

Entre as determinações do TCU, destaca-se a necessidade de revisão do fator de conversão de TEU/unidade, um indicador técnico fundamental para a capacidade operacional do terminal. A análise da área técnica do tribunal apontou que o sistema de embarque e desembarque do MUC04 apresentava uma capacidade dinâmica de apenas 360 mil TEUs, configurando-se como o principal gargalo operacional que limitava a capacidade total do terminal.

Os técnicos do TCU identificaram que essa limitação severa era resultado de uma combinação de fatores, incluindo a redução da prancha geral e o aumento do tempo morto na produtividade de cais. Contudo, o ponto mais crítico foi a mitigação do fator de conversão de 1,87 para 1,73 TEU/unidade. Esse rebaixamento impactou negativamente o subsistema, diminuindo a capacidade líquida do cais de transformar movimentos físicos de guindaste em volume efetivo de TEUs operados. Isso, por sua vez, estrangulava o fluxo de escoamento do terminal muito antes de se atingir o potencial máximo dos demais subsistemas.

Divergências Técnicas e o Histórico Operacional

O governo, em sua defesa perante o TCU, argumentou que a alteração no fator de conversão decorreu de uma revisão nas premissas relativas ao mix de carga projetado para o horizonte contratual. A justificativa era a adoção da média observada no complexo portuário Fortaleza/Pecém como referência, esperando uma maior convergência entre o perfil futuro de movimentação do terminal e a composição média da carga local.

No entanto, a unidade técnica do TCU observou que o histórico operacional do Porto de Fortaleza indicava valores entre 1,85 e 1,90 TEU por unidade. Segundo o órgão de controle, esses números refletiriam com maior fidelidade as características efetivamente verificadas nas operações portuárias. Com a exigência de revisão do fator de conversão, o Ministério de Portos e Aeroportos e a ANTAQ terão também a tarefa de recalcular a estimativa de demanda projetada para o terminal, garantindo que os dados sejam mais alinhados à realidade e ao potencial do porto.

Investimento e o Cenário Portuário Nacional

Na versão analisada pelo TCU, o projeto do MUC04 prevê um Capex (investimento em capital) estimado em quase R$ 300 milhões. Embora seja um valor considerável, o terminal de Fortaleza é de menor porte quando comparado a outros grandes projetos de arrendamento de contêineres que estão na carteira do governo para serem leiloados. Exemplos incluem o Tecon 10, no Porto de Santos (SP), e o novo arrendamento para o Porto de Itajaí (SC), que representam investimentos de maior magnitude e complexidade.

A liberação do leilão, mesmo com ressalvas, é um passo importante para a modernização da infraestrutura portuária brasileira e para o fomento do comércio exterior na região Nordeste. A atuação do TCU garante que os projetos de concessão e arrendamento sejam pautados pela eficiência e pela otimização dos recursos públicos e privados, beneficiando a economia e a logística do país.

Transição no TCU: Homenagens a Bruno Dantas

Em um contexto de mudanças na corte de contas, os ministros do TCU aproveitaram a sessão que liberou o leilão do MUC04 para prestar homenagens ao ministro Bruno Dantas, que anunciou sua saída do tribunal na mesma semana. O presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, destacou a liderança de Dantas na criação da SecexConsenso do tribunal durante sua presidência, ressaltando sua profunda compreensão do direito processual e administrativo, aliada à percepção da realidade dos administradores públicos.

Os ministros também celebraram a aprovação do nome de Rodrigo Pacheco, atual senador, para ocupar a cadeira que será deixada por Dantas. A aprovação de Pacheco pelo Senado e pela Câmara dos Deputados marca uma transição importante na composição do Tribunal de Contas da União, um órgão vital para a fiscalização e o controle da administração pública no Brasil.

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Fonte: agenciainfra.com

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