Total Linhas Aéreas sob risco: ANAC avalia suspensão de operações por falhas de segurança

Total Linhas Aéreas sob risco: ANAC avalia suspensão de operações por falhas de segurança
Foto: Total Cargo

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) está avaliando a possível suspensão das operações da Total Linhas Aéreas, uma companhia aérea brasileira com forte atuação no transporte de cargas e itens postais, incluindo os Correios como um de seus principais clientes. A medida drástica é considerada em virtude de um desempenho insatisfatório nos indicadores de segurança operacional da empresa, que, mesmo após a imposição de uma série de medidas cautelares pela agência desde 2024, não demonstrou a evolução esperada.

Caso a suspensão seja efetivada, o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Total Linhas Aéreas seria temporariamente invalidado, impedindo a companhia de realizar qualquer tipo de operação aérea. Essa avaliação reflete a crescente preocupação da ANAC com a manutenção dos padrões de segurança no setor, especialmente em um momento de maior escrutínio sobre a atuação regulatória.

Falhas de segurança e as medidas cautelares da ANAC

A ANAC identificou uma série de não conformidades nas operações da Total Linhas Aéreas. Durante o processo de fiscalização, as empresas têm a oportunidade de apresentar planos de medidas corretivas para os problemas apontados. Contudo, as respostas da Total não foram consideradas satisfatórias pelas fontes ouvidas pela reportagem.

Desde 2024, a ANAC aplicou quatro medidas cautelares à companhia, sendo que três delas permanecem válidas, indicando a persistência das irregularidades. A mais recente, emitida neste mês, foi detalhada em portaria publicada no Diário Oficial da União no último dia 11. Essa portaria proíbe a Total de implantar novas bases de operação no Brasil e de aumentar a frequência de voos em aeroportos estratégicos.

As restrições incluem um limite de dez frequências semanais para os aeroportos de Guarulhos (SP) e Florianópolis (SC), e de cinco frequências semanais para Porto Alegre (RS) e Recife (PE). Essas sanções permanecerão em vigor até que a empresa demonstre a correção das falhas mapeadas pela área técnica da agência, que incluem problemas em procedimentos de segurança, sistemas de gerenciamento de segurança e supervisão.

Entre as não conformidades mais graves, destacam-se tentativas de transporte de artigos perigosos, como baterias de lítio, sem o devido tratamento estabelecido pela ANAC, o que pode gerar riscos de explosão. Além disso, técnicos da agência observaram uma tendência de subnotificação de ocorrências que representaram algum perigo para as operações aéreas ou para os aeroportos, bem como possíveis irregularidades na manutenção de equipamentos.

O rigor da ANAC após o acidente da Voepass

O cenário atual das operações da Total Linhas Aéreas ganha um peso adicional diante do momento sensível vivido pela ANAC. A agência tem sido alvo de intenso debate após a divulgação do relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o trágico acidente aéreo da Voepass em Vinhedo, ocorrido em agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas.

O documento do Cenipa apontou que ações da própria ANAC, realizadas entre 2022 e 2024, já haviam revelado diversas não conformidades técnicas, procedimentais e sistêmicas na Voepass, abrangendo desde a manutenção de linha até a gestão documental e operacional. No entanto, o relatório criticou a incapacidade dos processos de gerenciamento de risco da ANAC em utilizar esses sinais de perigo para auxiliar em decisões estratégicas.

No caso da Voepass, o COA foi suspenso cautelarmente em março de 2025, após o acidente, e cassado definitivamente em junho do mesmo ano. O Cenipa recomendou que a ANAC revise e atualize seus processos internos de gerenciamento de risco, especialmente aqueles decorrentes de atividades de vigilância contínua, para aprimorar a capacidade de controle de riscos.

Em resposta, a ANAC afirmou que iniciaria uma análise técnica detalhada das conclusões e recomendações. Mesmo antes da publicação do relatório, a reguladora já havia implementado mudanças internas, como a elevação da decisão sobre a suspensão de um COA para a diretoria da agência, antes restrita apenas à cassação definitiva.

Total Linhas Aéreas: histórico e desafios operacionais

A Total Linhas Aéreas é liderada pelo empresário Paulo Almada e, segundo informações do site da companhia, iniciou suas operações em 1988. Atualmente, a empresa concentra seus serviços em transporte aéreo de cargas, fretamento cargueiro, operações dedicadas e transporte postal. No final do ano passado, Almada havia expressado planos de retomar os voos regulares de passageiros no Brasil, um objetivo que agora pode ser impactado pela atual situação.

A companhia também enfrentou um incidente notório no final de 2024, quando um de seus aviões cargueiros realizou um pouso emergencial no Aeroporto de Guarulhos, após decolar de Vitória (ES) e apresentar um incêndio a bordo. A Total Linhas Aéreas foi contatada por meio de seu canal de comunicação, mas não se manifestou até o fechamento desta edição, assim como a ANAC, que também foi procurada pela reportagem.

A avaliação da ANAC sobre a Total Linhas Aéreas sublinha a importância da vigilância constante e da conformidade com os mais altos padrões de segurança no setor de aviação. Acompanhe o Inova Carajás para mais informações sobre este e outros temas relevantes que impactam a sociedade, a economia e a infraestrutura brasileira. Nosso compromisso é trazer a você conteúdo aprofundado e contextualizado, para que você esteja sempre bem informado.

Fonte: agenciainfra.com

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