Marco Legal dos jogos eletrônicos no Brasil detalha fomento e proteção

Marco Legal dos jogos eletrônicos no Brasil detalha fomento e proteção
© Joédson Alves/Agência Brasil

A indústria de jogos eletrônicos no Brasil alcança um novo patamar com a regulamentação do seu Marco Legal, um passo crucial para o desenvolvimento do setor e a proteção de seus usuários. O decreto, publicado nesta quinta-feira (15), estabelece diretrizes abrangentes que visam impulsionar a produção nacional, qualificar profissionais, e abordar os impactos dos esportes digitais na saúde e na formação de crianças e adolescentes. A medida é um reconhecimento do potencial econômico e cultural dos games, consolidando um ambiente mais estruturado para criadores, jogadores e consumidores.

Entre as principais inovações trazidas pela regulamentação, destacam-se a criação de uma plataforma pública dedicada aos jogos brasileiros, o acesso facilitado a mecanismos federais de fomento e o incentivo à inovação tecnológica. A iniciativa busca não apenas expandir o mercado, mas também garantir um crescimento sustentável e responsável, alinhado às necessidades sociais e educacionais do país. A expectativa é que o novo arcabouço legal proporcione maior segurança jurídica e oportunidades para todos os envolvidos no ecossistema dos jogos eletrônicos.

Fomento e Inovação para a Indústria Nacional

Um dos pilares da regulamentação é o fortalecimento da produção nacional de jogos eletrônicos. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) assume um papel central nesse processo, sendo responsável por normatizar o acesso da indústria de games aos incentivos da Lei do Audiovisual. Isso inclui a proposição de critérios para a apresentação de projetos ao Fundo Setorial do Audiovisual e a definição de parâmetros para o enquadramento de games brasileiros de produção independente, abrindo portas para novos talentos e estúdios.

Além disso, o decreto prevê a simplificação dos procedimentos de importação de ferramentas e tecnologias essenciais para o desenvolvimento de jogos eletrônicos. Essa medida visa reduzir custos e burocracias, tornando o ambiente de produção mais competitivo e favorável à inovação. O objetivo é que desenvolvedores brasileiros tenham acesso a recursos de ponta, equiparando-se aos padrões internacionais.

A iniciativa mais visível nesse campo é a criação da plataforma pública GameBrasil, sob coordenação do Ministério da Cultura. Seu principal objetivo é catalogar, divulgar e promover jogos eletrônicos brasileiros, ampliando o acesso do público à produção nacional e fortalecendo o setor. A plataforma oferecerá:

  • Catálogo: Reunião de jogos eletrônicos brasileiros.
  • Divulgação: Visibilidade para a produção nacional.
  • Informações de acesso: Indicação de onde os jogos estão disponíveis.
  • Repositório público: Poderá reunir jogos financiados com recursos públicos.
  • Uso institucional: Disponibilização de jogos do repositório a instituições públicas de ensino, pesquisa e saúde, respeitados os direitos autorais.

Qualificação Profissional e Rede de Desenvolvimento

A formação de capital humano qualificado é outro ponto crucial da regulamentação. O Ministério da Cultura poderá desenvolver ações de formação, qualificação e capacitação profissional por meio da Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult). Paralelamente, o Ministério da Educação (MEC) será incentivado a promover cursos, pesquisas, projetos de extensão e empreendedorismo relacionados aos jogos eletrônicos, inclusive utilizando instrumentos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

Essas ações educacionais são projetadas para facilitar o acesso, a permanência e a conclusão dos estudos, com foco especial em grupos socialmente vulnerabilizados ou sub-representados, garantindo que a indústria de games seja um vetor de inclusão social. O decreto também prevê a criação de uma rede nacional de espaços para formação, experimentação, pesquisa e desenvolvimento de jogos eletrônicos. Essa rede, de adesão voluntária, poderá incluir equipamentos públicos, instituições de ensino, laboratórios, estúdios, museus, Núcleos de Inovação Tecnológica, incubadoras e parques científicos e tecnológicos. O propósito é estimular a cooperação, o compartilhamento de infraestrutura e a execução de projetos conjuntos.

Saúde, Treinamento e o Reconhecimento dos Esports

A regulamentação não se limita ao aspecto econômico, abordando também o impacto dos jogos eletrônicos na saúde e em outras áreas. O Ministério da Saúde deverá regulamentar o uso de jogos eletrônicos para fins terapêuticos, definindo finalidades, parâmetros de utilização e requisitos técnicos e sanitários aplicáveis. Essa medida abre caminho para a integração dos games como ferramenta auxiliar em tratamentos e reabilitações.

Para o uso de games em treinamento e capacitação, o decreto estabelece parâmetros específicos, visando garantir a eficácia e segurança dessas aplicações. Entre eles, destacam-se a fidelidade da simulação aos objetivos da atividade, adequação do desenho instrucional, desempenho técnico, usabilidade, acessibilidade, segurança e privacidade, proteção de dados pessoais, tempo de utilização compatível e supervisão humana conforme a natureza e o risco da atividade simulada.

Um marco importante é o reconhecimento dos esportes eletrônicos (esports) como manifestação esportiva de natureza competitiva. Essa oficialização permite que as modalidades sejam disputadas em competições, campeonatos e ligas, e que as organizações ligadas aos esports possam integrar o Sistema Nacional do Esporte (Sinesp). O Ministério do Esporte, por sua vez, deverá promover a integração dos esports às políticas públicas de formação, desenvolvimento de atletas, pesquisa, inovação, integridade, inclusão e acessibilidade.

Proteção e Acessibilidade para Crianças e Adolescentes

A proteção de crianças e adolescentes é uma prioridade na implementação do Marco Legal. O decreto exige que a regulamentação observe rigorosamente as normas específicas de proteção a esse público. Além disso, os fornecedores de jogos eletrônicos deverão buscar medidas técnicas para garantir o desenho universal e a acessibilidade dos serviços, sistemas e comunidades oficiais vinculados aos jogos. Sempre que possível, a acessibilidade deverá ser estendida aos mecanismos de proteção e segurança destinados ao público infantojuvenil, assegurando um ambiente digital mais seguro e inclusivo.

A regulamentação do Marco Legal dos jogos eletrônicos representa um avanço significativo para o Brasil, posicionando o país como um polo de inovação e desenvolvimento no cenário global dos games. Para continuar acompanhando as últimas notícias sobre tecnologia, cultura e o impacto dessas transformações na sociedade, acesse e siga o Inova Carajás, seu portal de informação relevante e contextualizada.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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