Jaques Wagner: PF aponta indícios de corrupção em diálogos sobre ‘emenda Master’

Jaques Wagner: PF aponta indícios de corrupção em diálogos sobre 'emenda Master'
Saulo Cruz/Agência Senado

Um relatório da Polícia Federal, divulgado em maio deste ano, trouxe à tona “robustos indícios da prática de crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos” em diálogos que envolvem o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Na época das mensagens sob investigação, Wagner exercia a função de líder do governo no Senado. As revelações, que incluem suspeitas de vantagens financeiras indevidas, como a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador, levaram o parlamentar a se afastar da representação do Palácio do Planalto em junho.

A investigação da PF sugere que, entre 2023 e 2025, o senador, diretamente ou por meio de seu enteado, Eduardo Sodré, teria solicitado e recebido benefícios em razão de seu cargo. Entre as vantagens apontadas estariam um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões e transferências que somariam, no mínimo, R$ 3,5 milhões, além de outros proveitos. A gravidade das acusações motivou a retirada do sigilo de todos os processos relacionados à fraude do Banco Master pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 11 de agosto, ampliando o escopo da apuração sobre a influência de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, em autoridades dos Três Poderes.

A Controversa “Emenda Master” e o Fundo Garantidor de Créditos

Um dos pontos centrais da investigação reside nas constantes atualizações que Augusto Lima, sócio de Vorcaro, fornecia a Jaques Wagner sobre a chamada “emenda Master”. Essa proposta, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), visava alterar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleceria a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central. A modificação proposta por Nogueira buscava elevar o valor máximo de investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

A relevância dessa emenda para o Banco Master era significativa, uma vez que grande parte dos títulos oferecidos pela instituição se enquadrava nessa categoria de cobertura do FGC. Após a eclosão do escândalo e a subsequente liquidação do banco de Vorcaro, o FGC foi acionado, desembolsando expressivos R$ 40,2 bilhões no primeiro semestre deste ano para investidores e clientes de instituições ligadas ao conglomerado. A proposta de ampliação do limite do FGC, no entanto, encontrava resistência, com o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestando-se contra a medida.

Diálogos Suspeitos e o Envolvimento de Outras Figuras

Os investigadores detalham diálogos que reforçam as suspeitas. Em 25 de agosto de 2024, Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, gravou um áudio para Augusto Lima via WhatsApp, expressando a necessidade de “conversar (…) para saber como estavam as coisas do banco”, uma clara referência ao Master, segundo a PF. Dois dias depois, após o que se acredita ter sido um encontro presencial, o empresário enviou ao parlamentar a “emenda Master” de Ciro Nogueira.

Meses depois, Lima enviou a Wagner uma notícia sobre o Will Bank, com a mensagem: “Para você que sei que vibra com o nosso sucesso”. Ao questionar se o banco era “de vocês?”, Wagner recebeu a confirmação: “Nosso !! Will Bank. 8 mm (milhões) de clientes maioria no nordeste (sic)”. Lima ainda esclareceu: “Somos donos do Will”. Em seguida, o empresário encaminhou um link de reportagem que indicava a intenção do Ministério da Fazenda de barrar a emenda que quadruplicaria o limite de cobertura do FGC, evidenciando a preocupação com o tema.

O relatório da PF também revela que o próprio Daniel Vorcaro, em contato com um jornalista, mencionou que os então ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Rui Costa (Casa Civil), além de Jaques Wagner, seriam favoráveis à ampliação do limite do FGC, em contraste com a posição de Haddad. Os investigadores apontam que Vorcaro atribuía a Wagner um posicionamento favorável à aquisição do Banco Master pelo BRB, o que sugere um possível alinhamento político percebido entre os interlocutores.

Padrão Recorrente e Desdobramentos da Investigação

A Polícia Federal destaca um “padrão recorrente de envio de notícias relacionadas ao Banco Master ao Senador Jaques Wagner por Augusto Ferreira Lima”. Esse padrão inclui registros documentados de notícias sobre mudanças na estrutura acionária do grupo Master (setembro de 2024), elevação do rating do Banco Master pela agência Fitch (outubro de 2024), aprovação pelo BRB da aquisição do controle acionário do Master (março de 2025), aprovação de requerimento no Senado Federal para que o Presidente do Banco Central prestasse informações sobre a operação BRB/Master (abril de 2025) e atualização do número de assinaturas para instalação da CPI do Master (abril de 2025).

Até o momento, o senador Jaques Wagner não se manifestou sobre as acusações, apesar de ter sido procurado por sua assessoria. O caso segue em apuração, com a retirada do sigilo dos processos pelo STF prometendo trazer mais detalhes sobre a extensão da teia de influências e as ramificações da maior fraude bancária da história do país. Acompanhe o Inova Carajás para mais atualizações sobre este e outros temas relevantes, garantindo acesso a informações aprofundadas e contextualizadas sobre o cenário político e econômico nacional.

Fonte: veja.abril.com.br

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