Motiva alerta que alíquota de 11,3% da CBS recomendada pelo TCU pode desacelerar economia

Motiva alerta que alíquota de 11,3% da CBS recomendada pelo TCU pode desacelerar economia
Foto: Motiva

A definição do novo modelo tributário brasileiro ganhou um capítulo decisivo com o avanço do cálculo da alíquota de referência para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A proposta de 11,3%, aprovada recentemente pelo Tribunal de Contas da União (TCU), acendeu o sinal de alerta no setor corporativo. Para a Motiva, o percentual sugerido para o imposto federal ficou acima das projeções do mercado e traz preocupações sobre os rumos da atividade econômica no país.

Durante a apresentação dos resultados financeiros da companhia, a diretoria analisou os reflexos que a nova tributação sobre o consumo poderá causar. A CBS foi criada para substituir tributos federais tradicionais, como o PIS e a Cofins, marcando uma das maiores transformações na estrutura arrecadatória nacional das últimas décadas.

Sugerida em 11,3% pelo TCU, nova alíquota da CBS segue para análise do Senado

O cálculo aprovado pela corte de contas representa um marco inédito. Esta foi a primeira vez na história que o órgão atuou na estimativa da alíquota de referência de um tributo federal, atribuição estabelecida pelo texto da reforma tributária aprovada em 2023. Agora, o relatório do tribunal serve de base técnica e segue para avaliação do Senado Federal, que possui o prazo limite de até 15 de dezembro para fixar o valor oficial.

Segundo a avaliação apresentada pelo vice-presidente financeiro da companhia, Rodrigo Araujo, o percentual sugerido gera apreensão quanto à carga tributária geral. A avaliação da empresa é que o patamar proposto pode encarecer custos e influenciar diretamente a dinâmica dos investimentos, trazendo efeitos colaterais para o ritmo de expansão do mercado.

Estrutura de ativos da companhia atenua riscos operacionais diretos

Apesar das ressalvas sobre os impactos macroeconômicos, a gestão da empresa garantiu estar preparada para enfrentar o novo cenário. A diretoria ressaltou que a estrutura de negócios da organização conta com mecanismos de proteção capazes de absorver flutuações e mitigar eventuais quedas na demanda geral de consumo.

Conforme detalhou Araujo durante a conferência, mais de 80% do portfólio de ativos da organização possui um nível adequado de blindagem em termos de banda de mitigação e fluxo de caixa marginal. Esse arranjo estratégico reduz a exposição direta da empresa diante de incertezas operacionais provocadas pelas mudanças na legislação fiscal.

Cadeia de fornecedores demonstra baixo nível de preparação técnica

Se por um lado o portfólio interno se mostra resiliente, por outro, a preparação da cadeia de suprimentos desponta como uma das principais fragilidades do processo de transição. Faltando apenas dois meses para a implementação das regras mais relevantes do novo sistema, a empresa identificou que apenas uma pequena parcela de seus parceiros se considera integralmente pronta para operar sob a nova lógica fiscal.

Para minimizar gargalos na cadeia produtiva, a empresa tem alocado tempo e recursos no auxílio técnico aos fornecedores. Contudo, a diretoria não descarta recorrer aos dispositivos legais de proteção à tomada de crédito assegurados pela reforma tributária, evitando que eventuais atrasos de terceiros prejudiquem a recuperação de créditos fiscais da própria organização.

Resultados financeiros do trimestre registram alta no lucro líquido

Mesmo em meio aos debates sobre a reforma fiscal, os números recentes do balanço corporativo mostraram desempenho expressivo. A companhia reportou um lucro líquido societário de R$ 3,42 bilhões ao encerramento do terceiro trimestre deste ano, acumulando um avanço de 177,9% na comparação com o montante de R$ 1,23 bilhão registrado no mesmo período de 2025, conforme dados da Agência iNFRA.

A forte expansão nos resultados foi impulsionada por fatores estratégicos decisivos para a operação. Entre os destaques apresentados aos investidores, estão a conclusão do processo de alienação da antiga plataforma de aeroportos do grupo e o aumento consistente no fluxo de veículos registrados nas concessões rodoviárias administradas pela empresa.

Acompanhe a cobertura completa sobre economia, infraestrutura e as transformações do mercado no portal Inova Carajás. Nosso compromisso é trazer análises aprofundadas e informações verificadas para manter você sempre atualizado sobre as principais decisões que movimentam o país.

Fonte: agenciainfra.com

Leia mais

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

Anúncio não encontrado.