O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, utilizou sua participação em uma série de entrevistas com presidenciáveis, promovida pelo Canal Rural e pelo BDM, para subir o tom contra a atual gestão econômica do país. Em conversa conduzida por Antônio Petrin, com a participação de Miguel Daoud e Rosa Riscala, o ex-governador de Goiás classificou o arcabouço fiscal vigente como uma “piada” e defendeu uma mudança estrutural profunda na condução das contas públicas.
A entrevista, realizada nesta sexta-feira (28), faz parte de uma rodada de sabatinas com os seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto, seguindo um cronograma definido por sorteio. Com uma trajetória marcada por cinco mandatos como deputado federal, um como senador e dois à frente do governo de Goiás, Caiado apresentou-se ao eleitorado como um gestor focado na experiência prática e na austeridade, distanciando-se de propostas que, segundo ele, carecem de viabilidade técnica.
Propostas para o agronegócio e previsibilidade
Um dos pontos centrais da fala de Caiado foi a necessidade de transformar o Plano Safra em uma política de longo prazo. O candidato argumentou que a incerteza anual sobre os recursos e as condições de crédito prejudica o planejamento do produtor rural, que hoje se vê refém de variáveis externas como conflitos geopolíticos e instabilidades nos mercados de insumos.
Para o presidenciável, o Brasil precisa de um planejamento plurianual, com horizontes de três a cinco anos, permitindo que o setor agropecuário tenha segurança para investir. Ele destacou que, enquanto potências como a China projetam suas economias para a próxima década, o Brasil ainda lida com a falta de um seguro agrícola robusto e com a dependência excessiva de fertilizantes importados, fatores que, na visão do candidato, exigem medidas estruturantes urgentes.
Choque de credibilidade e política fiscal
Ao abordar o cenário macroeconômico, Caiado não poupou críticas à taxa de juros real praticada no país. Para ele, o patamar atual desestimula o investimento produtivo e favorece o rentismo, drenando recursos que deveriam estar fomentando a indústria, o comércio e o campo. O candidato defendeu que a solução para o problema fiscal não reside em artifícios matemáticos, mas em um choque de credibilidade que devolva a confiança ao mercado.
Caiado propôs o estabelecimento de limites rígidos para o crescimento das despesas públicas via emenda constitucional. Segundo ele, a autoridade moral do presidente é o elemento que falta para que o Congresso Nacional e a sociedade aceitem as medidas necessárias para o controle da dívida pública em relação ao PIB, garantindo um ambiente de negócios mais estável e menos volátil.
Relação com o Congresso e governabilidade
Questionado sobre como pretende viabilizar essas reformas em um ambiente político frequentemente polarizado, Caiado adotou uma postura pragmática. O candidato afirmou que governantes que transferem a culpa de suas falhas ao Legislativo ou ao Judiciário demonstram incompetência. Ele defendeu o diálogo direto com as lideranças partidárias e a construção de consensos baseados em pautas que tragam competitividade ao país, como a melhoria na infraestrutura de portos e rodovias.
O ex-governador reforçou que sua prioridade, caso eleito, será focar em políticas que resolvam gargalos logísticos e reduzam o custo dos insumos, sem se perder em disputas ideológicas que, na sua avaliação, apenas desgastam a imagem do Brasil no exterior. A entrevista completa pode ser conferida no portal Canal Rural, que segue acompanhando a agenda dos candidatos ao Palácio do Planalto.
O Inova Carajás continua monitorando as propostas dos presidenciáveis e o impacto das medidas econômicas na realidade regional e nacional. Acompanhe nossas atualizações diárias para se manter informado sobre os desdobramentos das eleições 2026 e os temas que movimentam a economia e a sociedade brasileira.
Fonte: canalrural.com.br