O processo de doação de sangue no Pará passa por uma transformação significativa. Até o final de agosto, a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) conclui a transição para as novas diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde. A atualização normativa busca não apenas modernizar o sistema, mas tornar o ato de doar mais inclusivo e acessível, refletindo um esforço nacional para equilibrar a demanda hospitalar com a segurança dos estoques.
Para o enfermeiro André Almeida, gerente da triagem de doadores da Fundação Hemopa, a mudança é um divisor de águas. A expectativa é que, ao revisar critérios de inaptidão que antes restringiam voluntários saudáveis, o estado consiga ampliar significativamente o número de coletas. “O impacto que isso vai causar será muito grande. Nós vamos conseguir trazer de volta doadores que antes ficavam inaptos”, afirma o especialista.
Inclusão e fim da doação de reposição
Um dos pilares das novas normas é o reforço ao acolhimento humanizado. A portaria veda expressamente qualquer tipo de discriminação baseada em orientação sexual, identidade de gênero, atividade profissional ou condição socioeconômica. Além disso, o sistema de cadastro passa a exigir o respeito ao nome social de pessoas trans e travestis, garantindo que o atendimento inicial ocorra com a dignidade necessária para o exercício da cidadania.
Outra mudança estrutural é a proibição definitiva da chamada “doação de reposição”. Hospitais e serviços de saúde não podem mais exigir que familiares de pacientes doem sangue para repor o estoque utilizado em procedimentos. O ato deve ser, por definição, voluntário e altruísta. A norma protege, assim, famílias que, em momentos de fragilidade emocional, não podem ser constrangidas ou ter atendimentos médicos condicionados à oferta de doadores.
Critérios atualizados para doadores
As novas regras ajustam prazos e condições para diferentes perfis de doadores. O peso mínimo de 50 kg permanece inalterado, assim como a frequência anual: até quatro doações para homens e três para mulheres. A idade para a primeira doação segue entre 16 e 60 anos, sendo que menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis. Para idosos, a novidade é positiva: doadores frequentes com mais de 70 anos agora podem continuar contribuindo, desde que passem por avaliação médica.
Procedimentos estéticos e preventivos também tiveram seus prazos revistos. Quem realizou tatuagem, micropigmentação ou colocou piercings deve aguardar 4 meses, reduzindo o período de inaptidão que antes chegava a um ano. Para usuários de profilaxias contra o HIV, o tempo de espera é de 4 meses após a última dose da PrEP ou PEP via oral, enquanto a PrEP injetável de longa duração exige um intervalo de 2 anos.
Em relação a vacinas, os prazos foram padronizados de forma técnica:
- Covid-19: 7 dias de inaptidão.
- Gripe e HPV: 48 horas.
- Febre Amarela e Tríplice Viral: 4 semanas.
Segurança e compromisso social
Para a fisioterapeuta Yasmin Sousa, doadora há uma década, as mudanças são fundamentais para atrair novos voluntários sem comprometer a segurança. “A triagem continuará criteriosa, garantindo a confiança e a proteção de quem estará recebendo o sangue”, pontua. Ela reforça que o gesto de doar, muitas vezes motivado por experiências familiares, é um ato rápido e capaz de salvar vidas.
O Hemopa reforça que, apesar das flexibilizações, a triagem clínica permanece rigorosa para garantir a qualidade do material coletado. Interessados em contribuir podem consultar o site oficial do Hemopa ou entrar em contato pelo telefone 0800 280 8118 para agendamentos e orientações.
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Fonte: cksonline.com.br